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Como as escolas de tempo integral utilizam tecnologia e recursos digitais?

Dados do Censo Escolar 2022 mostram que o número de estudantes matriculados em escolas de tempo integral aumentou. Se em 2018 apenas 10,5% dos alunos de ensino médio da rede pública estavam na modalidade, hoje essa realidade já atinge 20,4% dos jovens. Com cada vez mais espaço na educação brasileira, como as escolas de tempo integral vem utilizando recursos digitais e tecnologia em seu processo pedagógico?

Pernambuco: pioneiro em escolas de tempo integral
O estado brasileiro de maior destaque no ensino em tempo integral é Pernambuco, que começou a implementar esse modelo há 15 anos, em 2008. Lá, de um total de 1056 escolas públicas, 637 são de tempo integral. Isso significa que 62,5% de todos os estudantes do ensino médio público estão matriculados nesta modalidade de ensino – a maior taxa do Brasil.

A secretária executiva de Educação Integral e Profissional do estado, Ana Cristina Dias, afirma que “a tecnologia digital apoia ainda mais o processo da educação integral, porque é a linguagem dos jovens”. Ela aponta que os recursos digitais são usados de forma transversal no currículo e cita a Escola Técnica Estadual Cícero Dias/NAVE (Núcleo Avançado em Educação) como destaque no que se refere à integração da tecnologia escolar. A instituição, localizada no Recife, integra o ensino médio com o técnico e tem a proposta de adotar novas metodologias educacionais que dialogam com a cultura digital.

“Ainda temos o desafio de levar esse tipo de concepção para a modalidade integral”, aponta a secretária. Como solução, ela defende um maior investimento neste tema, como o projeto Espaços 4.0, centros de inovação que reúnem laboratório maker e laboratório de tecnologias de informação e comunicação. Eles estão sendo implementados em todas as escolas de ensino médio do estado – até junho de 2021, 23 haviam sido entregues, dos quais 21 em escolas do interior do Estado, observa Ana Cristina.

Paraíba: tecnologia como pauta transversal
No estado vizinho, Paraíba, a educação em tempo integral também ganha força: já são 57,8% dos estudantes de ensino médio matriculados nesta modalidade, a segunda maior proporção do país.

Para Luiza Cortez, gerente executiva de Ensino Integral do estado, as possibilidades pedagógicas oferecidas pelas escolas integrais – com práticas e ações voltadas ao projeto de vida dos estudantes, prezando o desenvolvimento de pessoas autônomas, competentes e solidárias – têm sido um fator importante de atração de estudantes e suas famílias.

“A preocupação com o uso de tecnologia digital nas escolas precisa ser uma pauta transversal, que envolve desde a alfabetização e a cidadania digital, e deve ser trabalhada em todos os componentes curriculares”, defende Luiza, que ressalta também a importância das formações docentes englobarem o tema da tecnologia. “Nas escolas de educação integral, temos trabalhado essa competência para professores e professoras nas formações, e também temos destacado a importância de se tratar da temática inclusive em questões trabalhadas na política pública estadual de nivelamento [recomposição das aprendizagens].”

A gestora cita que essas formações estimulam reflexões sobre práticas pedagógicas que trabalhem as competências digitais e a responsabilidade com as informações veiculadas. “Estamos atentos à oferta de formação sobre a Lei Geral de Proteção de Dados e o combate ao cyberbullying. Também estamos amadurecendo ações que possam estar em ambientes virtuais de aprendizagem, suas estratégias de utilização e formas de engajamento.” Nesse caso, segundo Luiza, os próprios estudantes têm ajudado a pensar sobre ações pedagógicas diversas que envolvem tecnologias digitais.

Ceará: itinerários formativos em tecnologias digitais
No Ceará, que tem a terceira maior taxa do país de estudantes em escolas de tempo integral (42,1%), a Secretaria de Educação tem investido na melhoria dos parques tecnológicos das escolas e na oferta de tablets e chips para que os estudantes possam desenvolver sua aprendizagem e seus conhecimentos também de maneira digital, de acordo com Jucineide Fernandes, secretária executiva do Ensino Médio e Profissional do estado. Também foram adquiridos notebooks para os professores das escolas estaduais.

Hoje, 71% das escolas de ensino médio da rede pública cearense funcionam em tempo integral. Além disso, em março do ano passado, foi publicado um Plano de Universalização do Tempo Integral nas escolas de ensino médio, a ser implementado até 2026.

Segundo a gestora, as escolas de tempo integral também desenvolvem, ao longo dos três anos do ensino médio, “itinerários formativos que focam no desenvolvimento das ferramentas e das tecnologias digitais, tais como o componente curricular obrigatório de Cultura Digital e algumas unidades curriculares eletivas, do eixo de formação profissional, que focam no processo de ensino e aprendizagem das competências digitais.”

Ela cita também o projeto C-Jovem, que trabalha a programação em nuvem e que ocorre atualmente em 56 escolas de tempo integral, com projeto de expansão, ainda em 2023, para mais escolas dessa modalidade. “A meta do nosso governo é formar, com essa iniciativa, 100 mil jovens nos próximos cinco anos.”

Nordeste: destaque no cenário nacional das escolas em tempo integral
Diante desse crescimento exponencial do ensino em tempo integral, é necessário ressaltar a presença da região nordeste nesse processo. Dos 10 estados com maior número proporcional de estudantes em escolas desta modalidade, seis são nordestinos – Sergipe, Alagoas e Piauí se somam aos três estados já citados nesta reportagem. Neste quesito, todos eles estão acima da média nacional, de acordo com o Censo Escolar 2022.

“Há algum tempo, a região Nordeste tem se destacado em índices de desenvolvimento de aprendizagem no cenário nacional”, reflete Jucineide. “A vontade política, a organização orçamentária e a força dessas redes estaduais de educação, em prol de uma oferta que prevê mais tempo na escola para ampliação das possibilidades de aprendizagem, faz com que hoje estes estados estejam em melhores posições, considerando índices educacionais, como o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), por exemplo, o que resulta em um compartilhamento de práticas com outras redes estaduais e a consequente expansão dessas ações exitosas”, conclui a gestora cearense.

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Originalmente publicado em Vivo

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