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Da empresa para a escola: como trazer a TI verde para a sala de aula?

Há algumas décadas, com o avanço das tecnologias, um tema tem saído do ambiente corporativo para outras esferas: a tecnologia verde (TI Verde).

Cursos de ensino profissionalizante já estão começando a conversar sobre o assunto com alunos que vão atuar na área de tecnologia da informação, mas boas práticas podem começar mais cedo, ainda no ciclo escolar, defendem especialistas.

A expressão Tecnologia Verde começou a circular no fim do século passado, com a chegada da Internet e a popularidade dos computadores em setores diversos, o que coincidiu com a ascensão do debate em torno dos impactos das ações humanas no meio ambiente.

A princípio, houve o enfoque nos benefícios dos avanços tecnológicos para a sustentabilidade, como o uso de ferramentas para o monitoramento da emissão de gases que causam o efeito estufa, a redução de impressões de documentos com o uso de arquivos digitais e a prática de videoconferências para evitar gastos de energia das empresas provocados pelo deslocamento de seus colaboradores para os escritórios.

No entanto, hoje a TI verde também engloba boas práticas para reduzir os impactos do uso de ferramentas tecnológicas que são pouco sustentáveis ao meio ambiente. Isso também diz respeito ao acúmulo de lixo eletrônico: 53 milhões de toneladas de equipamentos são descartados por ano no mundo.

Uma ideia que multiplica conhecimentos
No sertão do São Francisco, a iniciativa Escola Verde circula pelas instituições de ensino da região para divulgar práticas sustentáveis diversas. Há mais de 10 anos, a equipe de pesquisadores da UNIVASF – Universidade Federal do Vale do São Francisco realiza debates, oficinas práticas e orientações a professores interessados em incluir aulas voltadas para a Educação Ambiental.

Em 2014, a iniciativa se transformou em programa reconhecido e aprovado pelo Ministério da Educação, no Programa de Extensão Universitária (Proext), para ser replicado de forma contínua em todas as escolas do Brasil. Até agora mais de 300 instituições foram alcançadas.

Coordenador do projeto, o professor Paulo Ramos destaca as oficinas de reciclagem de pilhas e baterias, que, segundo ele, é uma das que mais fazem sucesso entre as escolas. A ação, inclusive, já alcançou outros públicos, já que lida com peças que as pessoas não sabem como descartar depois que perdem sua eficácia.

“Nas oficinas, ensinamos os impactos que pilhas e baterias podem ter para os solos freáticos, se não são descartadas corretamente, os impactos que a contaminação do solo pode ter, inclusive, para a saúde das pessoas. Então ensinamos como fazer coletores de descarte e tentamos agir para a coleta dos materiais, pegando o carro do projeto e realizando esse resgate de escola em escola”, explica.

Paulo destaca que o uso das tecnologias da informação na escola é um exemplo de como a pauta verde pode estar presente, de diversas formas, no cotidiano escolar. Ele menciona o uso de e-books do projeto para orientar os professores – um incentivo, segundo ele, para que o uso da tecnologia seja mais naturalizado no ambiente escolar – ampliando, dessa forma, a contribuição da TI Verde para o desenvolvimento das escolas.

“Antigamente, celulares na sala de aula não eram vistos com bons olhos pelos professores. Hoje, eles podem ser utilizados para várias atividades escolares, e é um dispositivo tecnológico por onde é possível acessar informações sobre educação ambiental sem a necessidade de imprimir papel. Um exemplo das possibilidades diversas das tecnologias da informação para o meio ambiente”, reflete.

TI Verde no Ensino Técnico Profissionalizante
Por ser um conceito ainda muito atrelado às indústrias da tecnologia da informação, professores de Ensino Técnico Profissionalizante (EPT) têm pensado em formas de trazer a TI Verde para turmas do ensino médio com foco em especializações para o mercado de trabalho.

Pesquisador de práticas de tecnologia verde para a educação, Lucas Antonio Feitosa de Jesus conta que, como a EPT é um modelo de ensino que pode oferecer oportunidades de formação que integram demandas do mercado com questões multiculturais e ético-políticas, a TI Verde pode contribuir com a mobilização de debates neste seguimento..

“A TI Verde ajuda a entender, por exemplo, como que a distribuição de renda, o acesso aos bens de consumo, os desequilíbrios econômicos, sociais e regionais afetam, por exemplo, a distribuição no gasto de energia elétrica oriunda da TI e as ações referentes à produção e ao tratamento dos resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos pelo mundo. Como demanda reflexões sobre diversas dimensões da vida humana, reconhecemos que a Tecnologia da Informação Verde é um complexo temático integrador, capaz de mobilizar a formação humana integral que almejamos”, reflete .

Mas como trabalhar práticas de TI Verde em contextos educacionais que enfrentam tantos desafios sobre o acesso a recursos básicos tecnológicos? Para Lucas, ações de inclusão social a partir da reutilização de equipamentos pode ser um caminho, e cita como exemplo os Centros de Recondicionamento de Computadores(CRCs) – locais que recebem computadores já utilizados e que a partir de uma análise técnica dos equipamentos, os encaminham para escolas e bibliotecas públicas estaduais com alta demanda.

“Os CRCs, portanto, têm três funções sociais: 1) promover a cidadania digital, fornecendo computadores a ambientes educacionais desprovidos desses aparelhos; 2) conscientizar a sociedade de que a reutilização, além de ser a melhor maneira de aumentar o tempo de uso do produto, é um modo direto de ajudar na inclusão digital; 3) contribuir com a inserção de jovens no mundo do trabalho, uma vez que o recondicionamento e a reutilização dos computadores são realizadas por jovens cujas habilidades na manutenção desses aparelhos são realizadas dentro dos próprios CRCs, mediante a supervisão e a orientação de técnicos em informática.”, explica.

Para o pesquisador e consultor de gestão de negócios especializado em Educação Ambiental, Jonas de Medeiros, é importante que haja uma análise do contexto social em que a escola esteja inserida para começar a pensar em ações de Tecnologia Verde. A partir de um planejamento, Jonas defende, é possível pensar em caminhos para não deixar de lado um tema que é imprescindível para o futuro.

“Essa construção não é fácil e nem será rápida. Tendo consciência da realidade é possível se organizar e entender essa realidade e planejar sua evolução através da construção dos valores que guiarão ações tanto pedagógicas, quanto corporativas e políticas. O amanhã afetará a todos, portanto é obrigação de todos agir em busca do equilíbrio e da qualidade de vida”, conclui.

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Originalmente publicado em Vivo

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